segunda-feira, 16 de novembro de 2009

decisões

...às vezes acho que nossas questões da vida se repetem...
hoje questionei a sutil diferença entre ser perseverante e saber o que realmente se quer e ser teimosa e insistir em uma idéia sendo cabeça dura...acho que é tudo uma questão de como se vê as coisas na vida e por qual perspectiva...
..no que de fato devemos confiar senão em nosso chamado interno?e como dar conta disso quando se tem uma teia, uma rede de pessoas e consequências?...estamos de fato muito conectados e a sutileza da vida por vezes me chama quando por grande parte das vezes me comporto como uma leoa que sabe o que quer e segue seu objetivo...

domingo, 6 de setembro de 2009

fortaleza e casa de vidro

mulher forte?
quero colo.
não gosto quando a chuva cai e você não está por perto
não gosto quando sinto que preciso de você para estar feliz
não gosto quando você não me atende
não gosto desse vazio, nem dessa angústia
não gosto
não gosto de admitir que independência no relacionamento é uma casa que eu ainda não visitei - algumas vezes espiei pela janela, outras ameacei entrar pela porta, mas ainda não me sinto em casa nela...e daí, não sei onde estou eu, não me acho...
não gosto quando ser minha própria companhia ainda guarda esse vazio
e eu?
eu não me basto

terça-feira, 25 de agosto de 2009

passagens

como se suspensa estivesse
espero o dia passar
e decidir por si só
onde é que isso vai dar

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

re-ver

ficava olhando pela janela
como nunca antes o fizera
duvidou de suas maiores certezas
e repensou seu modo de ser
por um instante, paralisada
não sabia o que fazer
queria para si e para todos
essa tal nova dimensão
..conforme caía a chuva
muito fina!
ela via a calmaria do dia
e re-via tudo - se via
por mais um instante
já não tão paralisada
suspeitou do que fazer
buscar para si e para todos

uma nova dimensão

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Surtos de Transformação

Alguém sabe me dizer onde é que está o meio termo?Alguém poderia pedir para ele me visitar, dar uma passadinha por aqui, dar o ar da graça?!
Tenho pouco mais de um quarto de século de vida-ou pelo menos dessa vida- e às vezes tenho a sensação de que é tudo muito e às vezes é nada....sinto que estou esvaziando e dói....aí vem o tarô e eu leio de que é um processo dolorido para a ostra brotar a pérola....
...controle, des-controle, dor, apego....é como se dizer não mais bastasse, é preciso morrer e morrer em vida - o que é muito mais difícil - é se livrar de quem não mais se é, do que e de quem não mais se quer para continuar a caminhada...
...engraçado...só escrevo quando dói....escrevo para me livrar da dor de perceber que não mais sou, mas que estou sendo...e como dói...me dói até escancarar meu peito e partilhar esses sentimentos e palavras tão meus...e penso que tão coletivos...
...dor e alívio nunca dança quase que contemporânea e quem sem conhecimento eu tanto critiquei...
, mas como diria drummond, sofrer é opcional e eu opto por não.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Sobre Psiques e Afrodites

Quem são essas mulheres por aí?

...juro que tentei por alguns segundos continuar - aliás acho que deu até um minutos -, mas o título é para mim tão forte e enigmático e a pergunta que lancei acima daria uma tese de pós-doutorado que achei melhor nem continuar, deixa eu maturar isso melhorar que eu volto....

domingo, 28 de junho de 2009

Cena - escola livre de teatro

Sobre as coisas não absolutas da vida

MARCELO - Cá estou eu. Feliz e sozinho nesse quarto vazio de hotel. Não que isso não me agrade de certa forma, mas é tudo tão paradoxal. Sempre que eu estava em meu quarto, na casa da tia Aurora, estava tenso, a espera do próximo problema, do próximo encontro, das indagações dela. Esta calmaria é também melancólica, distante da euforia do dia-a-dia, degustando o que essa viagem me traz de bom. De bom. Eu, aqui e ela lá aguardando meu retorno.
RUBRICA - Arrasta-se ainda medianamente animado para a mesa do restaurante, prepara-se para uma refeição completamente só, em um ambiente privado, só ele, a comida e as cadeiras vazias, a cabeça fermentando coisas. Já sentado, comendo, lhe vem a imagem da tia sentada à mesa, como se ela estivesse ali mesmo, ele pode vê-la, sente o peso da sua presença, o desconforto, [como é a indiferença dela? como ela mastiga, o que ela diz? ela faz uma voz de choro forçado sempre que fala da irmã morta há tantos anos e da culpa junto com a responsabilidade de ter que cuidar de mim,]
Ele passa a comer mais rápido, como quando ela principia a falar da irmã, da mãe, da vizinha, sempre como anúncio do que virá depois.
MARCELO - Sempre aquele assunto do qual tanto fujo, fujo de mim e, portanto, fugia dela e de tudo.
RUBRICA - Cuidado e preconceito numa dança quase que histérica.
MARCELO - Tal qual aquela tarde em que ela entrou em meu quarto e me avistou pela primeira vez com sinais de um querer cuidar que simplesmente não cabia aos meninos.
TIA - O que você esta fazendo ai embaixo, menino?MARCELO - Nada não tia!TIA - Como nada? Então por que está se escondendo?
Vamos...me dê isso. Senão você já sabe o que vai te acontecer!!RUBRICA - Atônito entrega uma boneca de pano para a tia.
TIA - Então era isso!? Eu já não te disse que eu não quero te ver brincando com boneca? De quem é essa boneca, menino?MENINO - É da filha da D. Judite...(E eu gostava tanto daquela boneca.)MULHER - Eu não acredito que você pegou a boneca da filha da empregada pra brincar!!MENINO - Mas ela deixou..
RUBRICA – Como quem diz isso acreditando ser esse um problema ético(o fato de ter pego algo que não lhe pertencia)
MARCELO - Ela sempre me empresta, eu não peguei sem ela saber e minha mãe nunca brigou...
RUBRICA – A tia, numa histeria silenciosa.MULHER – Sua mãe está morta, Marcelo.
RUBRICA – Numa mescla de raiva e compaixão pelo menino. Como quem de fato acredita que a questão é que simplesmente tem brinquedos de meninos e outros, de meninas. Simplesmente, não tinha registro.
TIA – Marcelo, olha só. Pegue aqui esse carrinho. Esse sim é brinquedo de menino.
MARCELO – Mas por que?
TIA – Porque é Marcelo, porque é.
RUBRICA – De volta à realidade do restaurante do hotel, ele engole porções ainda maiores como quem quer deglutir tal história, ela emenda a costumeira segunda parte sobre os sobrinhos da vizinha, os outros netos da mãe, o namorado de fulana, ele não tem pressa nos gestos, mas a comida desce o mais rápido possível, ela fala de cada um destes moços, de como são bonzinhos, bem sucedidos, exemplares, de como saem com belas garotas .Ele costuma pensar que sua deglutição é uma dança para aqueles acordes que estouram da garganta da velha, ela capricha no timbre quando o interlocutor é alguém importante (qualquer um que não seja a vizinha ou a mãe, ou a empregada), e sempre que o timbre melhora o sobrinho espera pela patada, pelo desprezo, por qualquer coisa pior do que a rotina já bastante ruim, e é sob um agudo crescente daquela voz estridente que ele vai se paralisando à mesa, perguntando-se:
MARCELO: Como "ela pode estar aqui, agora"?
RUBRICA - Derrotado ele observa a comida desmoronar lentamente de cima do garfo estacionado à altura do queixo, como areia que escorre na ampulheta, cada garfada de arroz desgraçadamente branco, vai paralisando o tempo, o tempo de tudo, tempo da vida, da alegria, do sonho, do projeto...paralisando...só não paralisa o medo, o medo paralisante. Marcelo, paralisado, revisita uma das situações vivenciadas na adolescência.
MARCELO - Tia, tô saindo, mas volto pro jantar.TIA- Vai aonde?MARCELO - Encontrar uns amigos.TIA - Sei... E o Jonas é um deles?! Esse garoto vive grudado em você.Já te disse que não gosto dele e não suporto essa amizade de vocês.MARCELO - Ele é meu...
TIA- (interrompendo) O que é isso na sua orelha?
MARCELO - Isso o quê? TIA - (espantanda) UM BRINCO!!!MARCELO- Tia...TIA- Quem te deixou furar a orelha? Quantas vezes eu vou ter que repetir que isso não é coisa de homem? MARCELO - Isso não tem nada a ver, tia.TIA - Você tem que se portar como HOMEM!MARCELO - Para com isso, tia. Eu não gosto quando você começa com esse discurso.TIA - Pois eu vou continuar até você tirar esse brinco, esquecer aquela... aquela sua amizade com o Marcelo e se interessar por uma garota. Ouviu bem?
MARCELO – E eu... também não entendendo aquilo, não via a hora de encontrar Jonas. Eu simplesmente não me interessava por nenhuma das meninas. Sim, era amigo delas, muito amigos, mas o Jonas, não sei..tinha alguma coisa que...
RUBRICA – De volta a si, toca o celular.
MARCELO – Alô?Sim, é Marcelo sim.O que?A tia Aurora?Quando?RUBRICA - Despenca a comida toda no prato, despenca o garfo, despenca o prato no colo, despenca mesa, cadeira, despenca ele próprio, despencam ódios e apegos. Despenca aquela vontade de entender o que aquela mescla de ódio pela não aceitação de se ser simplesmente como se é e o apego por aquela mulher que foi a única que dele cuidou de verdade.
Mas isso, não importa mais.

Sentindo o sentido da vida

...normalmente a gente fica pensando na vida....agora passei para a fase do sentindo na vida, que pode numa brincadeira se torna sentido na vida...e por aí vai....em breve será agindo na vida...e daí volta a ser pensando, sentindo,agindo e pensando novamente......

Aqueles que se identificam

Quem (não) sou eu

Achei que seria mais fácil dizer quem não sou do que quem sou mas tô vendo que não é tão simples assim...

O porque do "o que"

Vinha há algum tempo querendo criar um blog...não sabia ao certo onde queria chegar mas hoje me dei conta que o importante não é onde quero chegar com ele mas sim que com ele pretendo caminhar. Fiquei ponderando o que publicar, o como fazê-lo...ponderei inclusive todo o cuidado com o jogo entre as palavras e suas acentuações gráficas mas hoje também me dei conta que isso não importa. O que encontrarão aqui? Sentimentos e palavras - textos que hoje são ficcionais e que foram talvez um dia auto-biográficos. Sejam todos muito bem vindos!